28.2.05
Aínda é tempo...

Emília Casas
Não demores, meu amor
Há muito se vai meu viço
O tempo, por mais que implore,
Comigo tem compromisso
Me visita todo dia
É um amante voraz
Já lhe entreguei quase tudo
Mas ele inda quer mais
Minhas mãos tão expressivas
Já não vestem as palavras
O tempo as algemou
Tornou-as mudas, escravas
O sorriso, antes vermelho,
Cobriu-o de amarelo
Mas insiste em se abrir
Entre rugas o revelo.
Do olhar levou o brilho
Hoje de um azul sem graça
Mas deixou nele um riacho
De água que nunca passa.
Mas, amor, se tu me vens
Eu até me reinvento
A mulher, quando amada,
Sabe enganar o tempo!
mics
8:43 AM
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25.2.05
Pensamento Perfeito

12- A flor que amo:
A viva
in 'Questionário'
mics
1:12 PM
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24.2.05
Pra Rapha, há muito tempo atrás

Mãe de dobra e se desdobra
pra que a filha seja cobra
em tudo que se propuser.
Mãe revira e se desvira
pra fazer a filha linda
sempre que lhe aprouver.
Mãe se vira do avesso
- e isso nunca tem preço -
pra agradar a menina.
Mãe é destino e sina
mãe é prática e teoria
que nunca se ensina.
Pra vc, mana Amandita, e pra Rapha.
Beijos de mi
mics
9:15 PM
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Ps

Ps, eu amo vc,
quando vem sem assinatura,
significa que é aplicável,
a quem servir a carapuça.
Ps, eu amo vc.
mics
9:10 PM
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Desejo

Quero o desejo pelo simples fato
quero o beijo pelo simples ato.
mics
8:11 AM
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23.2.05
A porta está sempre aberta

(Tenha paciência... A imagem é grande e demora para carregar. Enquanto espera, leia outros posts :o))
A porta sempre se abre
pra pessoa que se aproxima.
Pode ser velha ou moça,
feia, bonita ou pequena.
Pode ser chata, pentelha,
interessante ou difícil;
pode ter sangue nas veias
pode ter líquido insipido.
O problema não é aceitar
- que isso sempre se ajeita.
E também não é gostar
porque isso de alguma maneira
acaba por acontecer
(nem que leve a vida inteira).
O difícil é conciliar
o cérebro que se recusa
a tão mal acomodar
tanta gente
no pouco tempo
que temos livre pra amar.

PS: Esqueci o Argus. A Lolita foi no embrulho.
mics
12:27 PM
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22.2.05
e nada mais...

Quero por um só momento
fechar os meus olhos
encostar meu corpo
e me sentir confortada.
Quero aspirar na noite
o perfume profundo
o aroma profano da madrugada.
Quero por um só instante
desligar do mundo
e sentir que além de nós
não há mais nada.
mics
10:51 AM
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E a perereca? Quebrou, secou. Sumiu, fugiu.

A primeira, a pata quebrou
e após alguns dias no vaso secou.
A segunda, no vaso indiano amassou.
A terceira foi comida pela gata.
A quarta? Ninguém sabe, ninguém viu,
só se sabe que sumiu.
A quinta, acordei de madrugada
abri portas e janelas
e fui dormir sossegada.
Acordei, ela não estava.
Quiça daqui há algum tempo
eu acorde com a pererecada.
A sexta ainda é girino
e está bem despreparada.
Quando nascer perereca
sairá para a noite estrelada.
E eu juro: nunca mais entro nessa roubada.
mics
8:58 AM
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Deus existe?

Ontem de manhã eu achei que sim, e mais, que ele gostava de mim.
Acordei e vi um pé de Hibisco coberto de flores que não eram dele. Pesquisei e achei as Boussingaultias, Bassellaceas, Cordifolias e Anrederas.
Nome científico: Basellaceae Cordifolia
Propriétés et utilisations:
Les tubercules peuvent être consommées crues ou cuites et le feuillage est consommé cuit. De récentes études ont été menées à Taiwan attestant des propriétés antivirales.
Dans certains pays, la Boussingaultie est considérée comme une peste envahissante qui met en danger l'écosystème, car les tubercules axillaires sont véhiculés par les cours d'eau.
in http://nature.jardin.free.fr
in
http://www.hear.orgNome Vulgar: Bertalha, a planta que procuro há meses.
A felicidade durou o tempo de achar o Jabuti-Piranga Suia toda comida pelo Argus, o cão.

mics
12:44 AM
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16.2.05
Fatalidade

Leonora nasceu no dia quatorze, às quatorze horas. Cresceu perfeita até o dia em que a pólio lhe tolheu os movimentos de uma das pernas e deformou-a permanentemente.
Sob os olhares cuidadosos dos pais, filha única, desenvolveu sua inteligência e habilidades manuais que compensavam plenamente sua deficiência física. A mãe, usando a moda como desculpa, bordava ninhos de abelha e peitilhos de ponto cruz para enfeitar seus vestidos, sempre longos. O pai, artesão por hobby, criava acessórios eletrônicos que facilitassem sua independência.
Assim Leonora cresceu, quase sem se dar conta de que era diferente dos demais, até o final da adolescência.
Ao completar dezoito anos, ganhou do pai um carro totalmente adaptado às suas necessidades. Brilhando na faculdade de artes, conquistou a todos com sua doçura, menos um namorado, seu desejo mais contido, até o dia que descobriu a Internet.
Ali, Leonora conheceu Solano. Jovem, bonito, inteligente, e noivo. Por ele se apaixonou da forma como imaginara em tantos romances lidos e sentiu-se da mesma forma amada. Trocaram fotos. As dela sempre da cintura para cima. As dele, tiradas na praia, nas montanhas ou montando a cavalo, vinham quase sempre cortadas.
Viveram essas paixões virtuais até o dia que sentiram necessidade, e surgiu a oportunidade, de se conhecerem.
Conheceram num bar, longe de conhecidos. Ela sentada à sua espera viu-o chegar e ofereceu o rosto para ser beijada. O beijo veio tímido, roçando o canto de sua boca. O primeiro beijo, doce, demorado, inesquecível, dado e tomado em consentimento mútuo.Conversaram por horas. Trocaram confidências, risos, brincadeiras até o momento inadiável em que ela teve que se levantar.
Solano tentou não demonstrar sua surpresa e Leonora tentou brincar com sua deficiência ao mesmo tempo em que fugia para dentro do toalete. Voltou à mesa e contou em poucas palavras um resumo de sua vida. Não omitiu nem mesmo ser ele sua primeira - e derradeira - paixão. Solano ouviu tudo e nada perguntou. Retomou a conversa como se nada houvesse acontecido até o momento de irem embora.
No carro, mal ela se ajeitou no banco, Solano tomou sua boca, acariciou seu corpo, sugou seu ar. Até o momento em que o manobrista veio lhes pedir para tirarem o carro.
Depois dessa, se viram poucas vezes, se escreveram muito, se falaram quase nada. Nas entrelinhas, os sentimentos pululavam. Até o dia em que Solano anunciou seu casamento.
Leonora encontrou seu marido numa festa da faculdade. Artista plástico, sisudo, caseiro, suas obras já reconhecidas no mercado. Casaram-se numa festa familiar, tendo por padre e juiz os amigos do bairro de Leonora. Viveram razoavelmente felizes até o dia em que Leonora descobriu sua magia.
De noite, após cumprir suas obrigações - nem tão obrigadas, nem desgostosas - transportava-se para um mundo paralelo onde encontrava Solano e seus pares não podiam alcançá-los. Ali viveram suas paixões intensamente, até o dia em que Solano anunciou nova oportunidade de visitá-la.
Avisou ao marido que ajudaria na festa da igreja e que não voltaria antes do amanhecer. Que ele se cuidasse, tomasse a sopa no microondas e que não se preocupasse, pois ficariam todos juntos enfeitando a rua. Sabia que ninguém notaria sua falta se ficasse alguns minutos apenas em cada grupo. Encontrou-se com Solano num motelzinho de beira de estrada a alguns kilômetros da cidade. Amaram-se pela primeira e última vez. Ela, de meia idade. Ele, com cabelos brancos. Finalmente vivendo neste mundo, os sonhos sonhados juntos. Até o amanhecer.
Tomaram café. Ela com leite, ele puro. Comeram pão com manteiga. Ela passou geléia. Ele riu, tirou a geléia do canto de sua boca num beijo tímido. O último e também inesquecível beijo. Olharam-se longamente até se perderem de vista.
Ela ouviu na TV sobre o acidente às quatorze horas da tarde. Subiu ao parapeito da janela e deixou-se cair do décimo quarto andar sem um suspiro sequer. Até encontrar o chão.
Leonora e Solano foram velados em suas cidades pelos seus familiares e amigos. Foram enterrados às quatorze horas do dia quatorze. Suas almas vagaram pelo cosmos até se encontrarem.
mics
11:39 PM
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12.2.05
E isso agora?

Agora, esse tempo sem hora
essa incerteza, essa estória
que não tem enredo, sempre se embola.
Essa fome de acerto que nunca sacia,
esse vício na vida que se pronuncia,
esse medo, essa tristeza sombria.
Agora, que solto no mundo
tenho medo que se vá embora?
mics
2:51 PM
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O rio

Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas no céu, refleti-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranqüilas.
Manuel Bandeira
mics
2:47 PM
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2.2.05
...
mics
8:09 PM
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