5.3.05
Sobre Lino Rojas

Conheci Lino aos 17 anos, estudante secundarista, fazendo teatro com o Grupo de Teatro da Geologia da USP-SP (GT-GEO).
Era menina, tímida demais para ser atriz, mas tocava flauta. Lino, generoso e incentivador que era, me colocou para tocar flauta na peça 'Contratanto'.
"Ensinando para crescer e caminhar,
ensinando para aprender e libertar.
Vem companheiro, vamos lutar
que essa vida não mudará.
Vem companheiro, vamos vencer
se não deixarmos nunca explorar."
Acho que nunca me esquecerei desta música, tão marcante para mim na época que foi parte do meu projeto de encerramento do terceiro ano do colegial (uma caixinha de música com essa melodia).
Fascinada com a estória da peça, com pessoas especiais como o Lino, Israel, Cassandra, Rôlo e Rola, Babaca (um apelido carinhoso para o Tony), Candeias e muitos outros dos quais não me recordo agora, participei de debates, discussões e greves, sempre protegida pela turma que me tratava como a uma mascote. Viajei com eles para apresentações fora de São Paulo e tive a sorte de me iniciar na política estudantil com essas pessoas que eram bastante coerentes, ao contrário de muitos naquela época que primavam pelo radicalismo. Lá também, conheci meu primeiro namorado.
Claro que com tudo isso não tinha cabeça para estudar e em vez de fazer arquitetura - meu sonho - fui fazer psicologia - meu ideal.
Parei de fazer parte do grupo quando minha mãe me fez uma 'proposta':
'Ou você sai do teatro, ou não te pago a faculdade'.
Infelizmente eu cedi.
Nos últimos anos tentei procurar Lino e o encontrava nos jornais de vez em quando. Com o Google ficou bem mais fácil. :o)
Sempre tive vontade de ir assistir um de seus espetáculos, mas, bem diz o ditado: 'querer não é poder'. Entre filhos, bichos, marido e trabalho, fui adiando, adiando... e agora é tarde demais.
É triste saber que pessoas como o Lino se foram.
Que o céu saiba acolhê-lo melhor do que a terra.

Segue matéria 'pescada' num
'UIVO', que a pescou
aqui.
mics
12:22 AM
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